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Seduzida, violada e abandonada

Quem lhe apoia?

A triste história de uma menina que viveu quase década no cativeiro de um violador

Violada, seduzida e abandonada é o resumo da história de M.Tristeza, 19 anos, mãe de três filhos menores, todos gerados no cativeiro, tendo o mais velho oito anos e a mais nova, três meses. Actualmente ela vive no Bairro Albazine, periferia da Cidade de Maputo.

A menina Tristeza nasceu alegre e com sonhos, como qualquer outra rapariga deste país, na fértil região de …. distrito da Maganja da Costa, província da Zambézia. Contudo, aos 5 ou seis anos, a sua vida começa a tragectória que a levaria ao “enferno”  pela mão do diabo, na altura vestindo a capa de caridade (pessoa que lhe queria ajudar), conforme a própria vítima a descreveu.

A nossa entrevistada perdeu os seus progenitores ainda muito pequenina, “Primeiro foi o pai, depois a minha mãe”, contou com palavras saídas em pranto.

Após o infortúnio, ela passou ao cuidado da sua avó lá na sua aldeia natal.

Quando frequentava a 3ªclasse, na altura com 10 ou 11anos (ela não se recorda bem), aparece um tio vindo de Maputo, o qual se interessou em ajudar a menina. Pediu autorização à avó para que levasse consigo a menina para a capital do país, onde iria lhe cuidar, mandando-a para a escola. Nos tempos livres  iria brincar com os seus filhos, prometeu.

A avó achou a ideia brilhante, pois haveria de se libertar dos encargos de suportar uma criança, numa altura em que as forças para trabalhar lhe faltavam.  Autorizou-lhe, para que lhe a levasse. “Mas eu não aceitei:.. Embora fosse criança, desconfiei da maneira como me olhava aquele tio”- confessou Tristeza.

Nas zonas rurais, as ordens dos mais velhos são leis de cumprimento obrigatório, com agravante de ela ser órfã e a decisão tomada por uma velha!…

A nossa entrevistada conta que chegados a Maputo, o seu acompanhante foi lhe deixar numa família, com a promessa de voltar no dia seguinte, pois, alegou que ainda ia negociar o assunto com a sua esposa primeiro.

Tristeza acrescentou que o acompanhante voltou uma semana depois.”Levou-me de noite para uma casa alugada onde vivia sozinho dentro de um quintal grande. Fechou-me no quarto sozinha, onde fazia tudo tudo lá dentro”.

Para lograr os seus intentos, o violador ameaçou a menina ao silêncio absoluto. Não podia tentar  fazer barulho, no sentido de alertar a vizinhança e muito menos  tentar sair do quarto. Pois, corria o risco de ser morta, roubada ou presa, porque não trazia nenhum documento. Ademais, não conhecia a cidade de Maputo e muito menos o local em que se encontrava.

Segundo as suas palavras, no dia sequinte, o seu acompanhante saiu de manhã muito cedo, deixando a vítima encarcerada no quarto. “Ele voltou à noite com prato de comida e refresco” e lhe ofereceu. “Depois de comer, puxou-me para a esteira, tirou-me a roupa, fechou-me a boca e me violou toda a noite, ao ponto de no dia seguinte não conseguir fazer necessidades. Estava cheia de sangue e o corpo a me doer”.

Segundo a nossa entrevistada, as orgias sexuais do violador prosseguiram durante todo o período em que esteve no cativeiro. Abusava-a sexualmente, dia e noite, sempre que lhe apetecesse. “Apenas descansava, alguns dias, depois do parto” e as centas continuavam.

Depois de nascer o seu primeiro filho fruto de violência, “ele libertou-me do quarto, mas continuava fechada no quintal. Não podia sair, ir ao mercado e muito menos falar com a vizinhança. Se me encontrasse a conversarcom a vizinhança, chamava para o quarto, onde me dava porrada e ameaçava me matar”.

Tristeza  neste martírio durante cerca de 10 anos consecutivos, ao longo dos quais teve três filhos, dois rapazes e uma menina de três meses.

A nossa entrevistada contou-nos que era violentada por palavras e actos, incluindo panacaria.A fonte sublinhou que a sua vida começou a degradar-se ainda mais nos últimos seis meses do presente ano. “ Para além de me proibir de falar com pessoas, Não me trazia comida, apesar de saber que estava a amamentar. Comecei a viver de favores de vizinhos de boa vontade”- balbuciou com a face banhada de lágrimas.

A situação fez com que ela decidisse quebrar o silêncio pedindo socorro: para o efeito,  contou a sua história de sofrimento a uma vizinha, a qual comunicou à vizinhança. Por sua vez os vizinhos levaram o caso imediatamente às estrituturas políticas do bairro.

Segundo Tristeza, após tomar conhecimento de que o seu crime havia sido descoberto, o violador, sumiu sem deixar pistas.

A vítima, com apoio do chefe do quarteirão e de outros “mazambezianos”, procurar localizar o serviço do sequestrador, onde apuraram  que lá também já não vai trabalhar, desconhendo-se o seu paradeiro.

A vítima vivia numa casa alugada e quando os senhorios souberam da sua história expulsaram-na, confiscando todos os seus pacatos bens.

Uma desgraça que não vem só

Actualmente, Tristeza sobrevive de apoio de vizinhos, os quais, como forma de minorar o seu sofrimento, sugeriram para que pensasse num negócio que pudesse servir de fonte do seu sustento.

Decidiu vender carvão, tendo a vizinhança contribuído com o montante de 1.500,00 meticais para a compra de um saco, que iria vendê-lo aos montinhos.

Segundo as suas palavras, o negócio correu às mil maravilhas. Mas, infelizmente, guardava as receitas de venda no quatro, dentro de uma almofada.

Mas como a desgraça não vem só, de acordo com o ditado popular, eis que aparece um outro infortúnio:”No dia em que queria ir comprar um outro saco de carvão, apanhei uma surpresa desagradável. O meu filho mais velho, de oito anos, havia roubado todo o dinheiro para gastar com amigos”.

Presentemente, ela está à procura de quem a ajuda a sair deste poço profundo:

Após o desalojamento, ela havia sido acolhida por uma família piedosa, a qual está também a correr com ela, alegadamente porque os seus filhos são ladrões. Pois, quando acorda, ela diambula pelo bairro à procura de biscates para o sustento dos seus rebentos, os quais os deixa entregues à sua sorte até quando regressar, às vezes noite adentro.

[1] Por razões da protecção da sua imagem, decidimos omitir o seu verdadeiro nome.

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